Retalhos de memórias alinhavados entre lãs, linhas, notas, telas e lembranças.

Inajá Martins de Almeida

___________________________

"Manter um diário ou escrever, as próprias memórias deveria ser obrigação “imposta pelo estado”: o material acumulado após três ou quatro gerações teria valor inestimável. Resolveria muitos problemas psicológicos e históricos que afligem a humanidade. Não existe memória, embora escritas por personagens insignificantes, que não apresentem valores sociais e pitorescos de primeira ordem”.

(Tomasi di Lampedusa - Os Contos)

______________________________________________________________________________________________________

sábado, 7 de março de 2026

QUANDO O TEMPO NÃO PASSA ATRAVÉS DAS FOTOS

O tempo sempre nos reserva algo significativo, quando fotos nos encontram e falam por nós.

Eis que num sábado, nublado e chuvoso, observo a paisagem por entre os pingos na janela, e retorno aos meus arquivos, quando fotos me vem ao encontro de um tempo que não se perdeu e que, vez ou outra, requer os apontamentos.

A janela, presente na memória, o ibisco a contemplar e proporcionar o verde, neste agora retoma lembranças a não se apagar da mente.

A cortina de crochê a emoldurar a vidraça, fala de instantes de pura reflexão, quando ponto a ponto se deixava tecer através da linha que percorria mãos hábeis de artesã.

E prossigo entre linhas, num tempo passado que requer, cada vez mais, presente, pois que, fotos permanecem no físico e no imaginário das lembranças que não se apagam.  




xxx

Nenhum comentário: