Retalhos de memórias alinhavados entre lãs, linhas, notas, telas e lembranças.
Inajá Martins de Almeida
___________________________
"Manter um diário ou escrever, as próprias memórias deveria ser obrigação “imposta pelo estado”: o material acumulado após três ou quatro gerações teria valor inestimável. Resolveria muitos problemas psicológicos e históricos que afligem a humanidade. Não existe memória, embora escritas por personagens insignificantes, que não apresentem valores sociais e pitorescos de primeira ordem”.
(Tomasi di Lampedusa - Os Contos)
sábado, 30 de janeiro de 2010
ALGUNS TRABALHOS EM CROCHE
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
RAFAELA ENTRE LÃS E LINHAS
quinta-feira, 24 de julho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
TECENDO LINHAS - 8ª Feira do Livro de Ribeirão Preto 2008
sábado, 14 de junho de 2008
8ª FEIRA DO LIVRO DE RIBEIRÃO PRETO - momento de poesia

8ª FEIRA DO LIVRO RIBEIRÃO PRETO - Entre livros e linhas
domingo, 25 de maio de 2008
FALANDO DE LÃ E LINHA

A lã, que tece o agasalho;
A linha, que compõe o texto.
.
O texto da lã, na linha!
O texto da linha, na lã!
A lã que passa p’ra linha;
A linha contida na lã.
Poema extraído do livro "ENTRE LÃS E LINHAS" de Inajá Martins de Almeida
TEMPO DE LÃ E DE LINHA

Passeio nas linhas;
Nas linhas do tempo.
Percebo, então
Quantos sonhos,
Deixados nas lãs!
Quantos sonhos,
Encontrados nas linhas;
Nas linhas do tempo.
Ecoa o vento
O canto
Que fala das lãs,
Nas linhas do tempo.
E o vento,
Para longe leva a lã
E desenrola a linha;
Da linha do tempo.
Lã...
Linha...
Tempo...
Vento...
A lã do agasalho,
Que envelheceu
No tempo!
A linha da fantasia,
O tempo,
Levou o vento!
Deixando a saudade
Da lã,
Que a linha,
Em poesia transformou.
LER ATRAVÉS DAS ENTRELINHAS
Muitas vezes,
O que parece ser,
Na realidade,
Não é – está escondido
Por trás das linhas.
O texto,
Através das linhas,
Forma, então,
O contexto.

Nesse momento,
O pensamento
Do filósofo divaga
Sobre o texto.
E o poeta afaga
A alma, no contexto
Para se ler
Nas entrelinhas do texto,
É preciso saber,
Que por trás das linhas
O contexto
Se esconde.
Somente leitor
Contumaz,
Audaz,
Perspicaz,
Que acostumado fora
Às linhas do texto
E às entrelinhas do contexto,
Poderá ler
E compreender,
As artimanhas
Que se escondem
Por trás das linhas,
Através das entrelinhas..
Poema extraído do livro "ENTRE LÃS E LINHAS" de Inajá Martins de Almeida
ENTREPONTOS

Uma interrogação (?)
Uma pergunta que fica no ar
Uma exclamação (!)
Um espanto, uma dúvida
Uma reticência (...)
Um pensamento que não se concluiu
Uma vírgula (,)
Uma pausa para continuidade de pensamento.
Um ponto e vírgula (;)
Uma explicação que se faz necessária
Dois pontos (: )
A explicação de um pensamento
Um ponto final (.)
A conclusão de um pensamento
E entre pontos
A interrogação questiona
A exclamação se espanta
A reticência não conclui
A vírgula descansa
O ponto e vírgula dá continuidade
Dois pontos explica
O ponto final conclui.
Eu contudo entre pontos me coloco;
Ora pontos nas linhas
Ora pontos nas lãs.
Vez ou outra os dois estão presentes
Uns nas linhas horizontais
Outros nas verticais
E eles dão sentido a minha vida
Uns me escrevem – as linhas
Outros me lêem – as lãs.
.
Poema extraído do livro "ENTRE LÃS E LINHAS" de Inajá Martins de Almeida
VERSO E REVERSO
O PRAZER DA LÃ... O FASCÍNIO DA LINHA...
COLCHA DE RETALHOS

Das lembranças da infância,
Pude retalhos recolher,
Ora, de panos de lã,
Ora, de contos de linha.
.
Criavam retalhos de sonhos:
Pedaços coloridos de lã,
Que, aos poucos, a colcha formava.
Menina, então, crescia
Entre a fantasia da linha,
Entre a magia da lã.
Logo, a mulher desabrocharia,
A boneca de lã, num canto, deixaria,
A palavra, na linha, encontraria.
Os retalhos, amealhados, juntaria,
Retalhos coloridos:
Dos contos de fada, na linha;
Das tramas dos pontos, na lã,
Aos poucos,
A colcha de retalhos teceria,
Com pedacinhos de lã,
Com lembranças da linha,
E, enquanto,
Os retalhos de lã
um corpo frio aqueceria,
pedacinhos de linha
Alma contrita, acalentaria.
FRAGMENTOS DE LÃ E DE LINHA
LINHA E LÃ NUM SÓ ESPAÇO
PANOS DE LÃ ... RETALHOS DE LINHA
O TECER DA LÃ... O DECLINAR DA LINHA
Minha mãe tecia com lãs.
Meu pai escrevia nas linhas
Acostumei-me às lãs,
Tanto quanto às linhas.
Numas tecia,
Noutras escrevia.
Enquanto nas lãs tecia,
E trabalhos produzia,
Nas linhas, lia
E aprendia.
Tornei-me, assim, tecelã
De lãs e de linhas.
Ora há, em que a lã
Direciona minhas mãos.
Outras, em que a linha,
Direciona meus pensamentos.
Jamais me canso das lãs,
Jamais me aparto das linhas.
Minha mãe já não tece as lãs,
Meu pai ainda escreve nas linhas.
Eu, contudo, continuo
Tecendo lãs e declinando linhas.
.
Poema extraído do livro "ENTRE LÃS E LINHAS" de Inajá Martins de Almeida